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A Reprodução Assistida e o Covid-19

Caro Membro,

A reprodução assistida, – a nossa área de atuação, – tem como foco a busca da gravidez, a formação de famílias, a realização de sonhos que, em algum momento no passado, pareciam impossíveis. Já enfrentamos o H1N1, o Zika vírus e, neste momento, acompanhamos o surto do Novo Coronavírus (Covid-19), uma ameaça global.

Na Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA) e na Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), somos médicos, embriologistas, enfermeiros, psicólogos, técnicos, profissionais de RH e, mais que tudo, somos gente. Assim como toda a sociedade, temos entes queridos e enfrentamos os mesmos dilemas de qualquer cidadão. Todavia, antes de tudo somos cuidadores de pessoas, temos uma enorme responsabilidade em momentos como este e, com prudência e embasamento científico, não vamos nos deixar abater.

Sugerimos que todas as clínicas e locais de atendimento, realizem um preparo ativo e intenso das equipes de trabalho. Que parâmetros de segurança e controles de qualidade sejam intensificados, com monitorização em tempo real, para garantir a segurança das equipes e pacientes.

As informações que apuramos, também extraídos das trocas com nossos colegas internacionais, definem nossos passos. Até o momento, os relatos de não-sobreviventes (Fang et al, recentemente publicado na Lancet em 11-03-2020) enfatizam a incidência de doenças como hipertensão, diabetes, doença coronariana ou doenças cerebrovasculares, em pacientes de maior faixa etária.

Sociedades correlatas internacionais, como a  Sociedade Européia de Reprodução (ESHRE) e a Sociedade Americana (ASRM), também atentas, não reconhecem evidências de efeitos negativos nas gravidezes, especialmente naquelas em estágio inicial (CDC Americano e RCOG -Royal College inglês).

Há relatos de casos de mulheres  positivas para o Covid-19 que deram à luz a bebês saudáveis e alguns efeitos adversos neonatais como rotura precoce de bolsa amniótica, ou parto pré-termo, não tiveram comprovação de que eram resultantes de transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho.

Esses dados mostram que o comportamento do Covid-19 é diferente do H1N1, que tinha importante implicação para grávidas e seus bebês. Mas seguimos com cautela. Se não há problemas de infertilidade, estamos de acordo com  postergar e esperar um outro momento para planejar a gravidez. Entretanto, não queremos que se repitam experiências como as do H1N1 ou do Zika vírus, quando muitos pacientes esperaram e o tempo de sua fertilidade natural passou.

Para aqueles que estão em tratamento de reprodução assistida, as evidências  até este momento sugerem seguir os planos, postergando apenas o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos ou embriões.

Cuidemos uns dos outros, equipes e pacientes, vizinhos, conhecidos e também dos desconhecidos a nosso lado.

Estes dados refletem a situação do momento. Numa pandemia,  estas decisões podem ir  mudando e se aperfeiçoando ao longo dos dias, muitas vezes até definidas pelas questões especificas de um determinado pais. 

Contem conosco!

CONSELHO DE DIRETORES
REDLARA e SBRA

 

REFERÊNCIAS (acesso em 16/03/2020):
Sociedade Europeéia de Reprodução Humana, ESHRE: https://www.eshre.eu/Press-Room/ESHRE-News
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, ASRM: https://www.asrm.org/news-and-publications/news-and-research/press-releases-and-bulletins/covid-19-suggestions-on-managing-patients-who-are-undergoing-infertility-therapy-or-desiring-pregnancy/

Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, ACOG: https://www.acog.org/Clinical-Guidance-and-Publications/Practice-Advisories/Practice-Advisory-Novel-Coronavirus2019?IsMobileSet=false
Centro para Controle de Doenças, CDC: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/prepare/pregnancy-breastfeeding.html?CDC_AA_refVal=https%3A%2F%2Fwww.cdc.gov%2Fcoronavirus%2F2019-ncov%2Fspecific-groups%2Fpregnancy-faq.html
Royal College iInglês: https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/guidelines/coronavirus-covid-19-infection-in-pregnancy-v2-20-03-13.pdf
Federação Internacional de Fertilidade: htTps://www.iffs-reproduction.org/page/COVID-19

REFERÊNCIAS ADICIONAIS:
Fatores de risco:
Fang L, Karakiulakis G, Roth M. Are patients with hypertension and diabetes mellitus at increased risk for COVID-19 infection? Lancet Respir Med. 2020 Mar 11. pii: S2213-2600(20)30116-8. doi: 10.1016/S2213-2600(20)30116-8. [Epub ahead of print]
Gestação e prole:
Li Y, Zhao R, Zheng S, et al. Lack of vertical transmission of severe acute respiratory syndrome coronavirus 2, China. Emerg Infect Dis. 2020; doi: 10.3201/eid2606.200287. [Epub ahead of print]
Chen H, Guo J, Wang C, et al. Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records. Lancet. 2020 Mar 7;395(10226):809-815. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3. Epub 2020 Feb 12.
Zhang L, Jiang Y, Wei M, et al. [Analysis of the pregnancy outcomes in pregnant women with COVID-19 in Hubei Province]. Zhonghua Fu Chan Ke Za Zhi. 2020 Mar 7;55(0):E009. doi: 10.3760/cma.j.cn112141-20200218-00111. [Epub ahead of print]
Chen Y, Peng H, Wang L, et al. Infants Born to Mothers With a New Coronavirus (COVID-19). Front. Pediatr., 16 March 2020; https://doi.org/10.3389/fped.2020.00104