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Levantamento da Anvisa aponta que número de importações de sêmen subiu 100% em 2017, em comparação com o ano anterior no Brasil. Desse material, 91% é de doadores de pele branca.

Um levantamento divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou que a procura por sêmen de bancos internacionais para a fertilização in vitro cresceu muito no Brasil. Em 2017, o número de importações subiu 100% em comparação ao ano anterior.

De acordo com a Agência, é preciso ter uma autorização para este tipo de importação. Em 2016, foram concedidas 436 autorizações de importação. No ano seguinte, esse número saltou para 860.

Metade dessas autorizações foram para o Estado de São Paulo. Entre as cidades paulistas com mais pedidos, Ribeirão Preto (SP) está em segundo lugar, perdendo apenas para a capital.

O médico Anderson Sanches de Melo é especialista em reprodução humana e afirma que tem percebido o aumento da demanda na clínica de fertilização artificial onde trabalha.

“Está ocorrendo o aumento da procura, porque até o começo dos anos 2010, na maioria das vezes casais heterossexuais recorriam aos bancos de sémen para engravidar. Com as mudanças sociais, a produção independente feminina e casais homo afetivos femininos ocupam uma fatia importante dessa procura”, explica.

O relatório da Anvisa aponta ainda quais são as preferências dos brasileiros. Das amostras importadas para o Brasil em 2017, 91% eram doadores de pele branca, 45% tinham olhos claros e 67% com cabelos castanhos.

No Brasil, o banco de sêmen é formado pelo material genético de doadores anônimos, que não podem se identificar. Em respeito às regras do Conselho Federal de Medicina, são fornecidas apenas informações como profissão e algumas características físicas do doador.

As regulamentações são diferentes em outros países e as mães podem escolher os detalhes da amostra que vão importar. No banco de sêmen americano, por exemplo, é possível ouvir a voz do doador, ver fotos, vídeos e até mesmo conhecer as preferências dele, como hobbies e o esporte favorito.

Segundo o especialista, essas informações garantem ao paciente mais segurança e por isso o aumento da procura pelo banco internacional.

“Com todas essas informações, o casal ou a pessoa que precisa recorrer ao banco de sémen para engravidar sente muito mais segura de ter um filho com as características físicas que ela realmente pede”, diz.

Melo ainda explica que outra diferença entre é que no banco nacional o doador é voluntário. No banco americano, o homem recebe um pagamento em dinheiro, o que acaba incentivando a doação e o banco fica mais variado e, portanto, mais fácil para a mulher encontrar pessoas com características físicas parecidas.

Para o especialista com mais de 30 anos de experiência em reprodução humana assistida e diretor de um centro de reprodução, Franco Júnior afirma que a qualidade genética do sémen brasileiro e do internacional é a mesma.

“O sémen de origem internacional comparado com o sémen colhido no Brasil e submetido a todas as normas da Anvisa não tem diferença do ponto de vista genético. O nível de segurança é o mesmo. A procura por sémen no exterior é simplesmente porque há a identificação do doador, dos detalhes e no Brasil isso é proibido”, explica.

A gravidez da terapeuta e psicopedagoga Denise Dias foi bem planejada. Ela optou pela produção independente através do banco nacional de doadores. Saúde é o que não falta para o filho dela, Rafael, que está com um ano de idade.

“Eu sempre quis ser mãe e por falta de um companheiro bacana durante a vida, busquei o banco de sémen. A mulher que busca por produção independente, geralmente tenta escolher características físicas que são semelhantes as nossas, mas é importante que o banco nacional amplie algumas informações”, conta.

 

 

Fonte: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/01/17/ribeirao-preto-e-a-segunda-cidade-no-estado-de-sp-que-mais-importa-semen-para-fertilizacao-in-vitro.ghtml